sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Luso! É Verão Outra Vez... Sem Água Outra Vez!!

É Verão outra vez no Luso! Estaçao do ano privilegiada para o veraneio e para as benditas férias. Contudo, o nosso Luso continua a apresentar-se a quem o visita, como a terra onde está a localizada a maior empresa de águas lisas do país, com uma quota de mercado com maioria absoluta mas onde as torneiras de quem aqui habita teimam em não deitar durante o Verão.

Desde o início da semana que vem sendo notória esta situação e, cansada de esperar respostas, fui em busca delas.

Segundo me confidenciaram algumas pessoas conhecedoras da situação, desde o início do mês que há na CMM vozes para que a fonte de S. João seja encerrada pela noite (como já aconteceu antes) mas tal nunca foi autorizado "por quem manda" (foi a expressão que utilizaram).

Disseram-me que "os depósitos estão em baixo porque o consumo é muito". Ora, é uma explicação que não aceito nem nunca poderá fazer sentido. Isto porque o Luso tem neste momento uma taxa de ocupação hoteleira inferior ao que seria normal em qualquer ano em que as termas estivessem a funcionar ou mesmo em relação a algumas décadas atrás em que ainda não tinham encerrado o Hotel dos Banhos, o Hotel Serra, a Pensão Lusa, a Pensão Avenida, a Pensão Buçaco ou a Pensão das Termas.
Outro argumento que me apresentaram foi o de que "os depósitos são abastecidos pela Fonte de S. João, e como a fonte tem menos água no Verão do que no Inverno, ainda é mais difícil que a água chegue." Ora, este é precisamente mais um falso argumento porque qualquer Lusense que se preze sabe que, originalmente, a Fonte de S. João sempre foi mais abundante de Verão do que no Inverno. Qualquer Lusense ques e preze sabe que a água "borbulhava" com muito mais força no Verão do que no Inverno.
A verdade é que, depois de alguns furos que a SAL abriu o nível da Fonte de S. João diminuiu significativamente e o Luso, inexplicavelmente, começou a ter problemas com o abastecimento de água aos domicílios.

A CMM sabe detalhadamente desta situação há já alguns anos. Mas, mesmo assim, aparentemente, ignorou esta situação e não meteu mãos à obra e não resolveu este problema gravíssimo. Poderá o Turismo ser a tal alavanca que o Luso precisa quando os planos que a CMM apresentou (LusoInova) centra toda esta actividade na questão da água e do seu aproveitamento quando depois de um dia de passeio ou tratamento, um turista chega ao seu hotel, à sua pensão ou ao apartamento que comprou para férias no Luso, abre uma torneira e não dispõe do bem mais essencial à vida? É isto o planeamento turístico?

Para além deste aspecto, a CMM deixou-se ficar refém de uma situação em que a renovação da concessão de exploração da água do Luso atribui a uma empresa privada uma área de exploração que prevê uma zona de segurança onde até a própria autarquia fica limitada à captação de águas para abastecimento da rede pública. Assim, caros Lusenses o que vai acontecer será o seguinte ( e de certeza que não me engano). No próximo mandato (se é que tal já nao se encontra previsto), a CMM vai resolver este problema. Como? Muito simples: o Luso vai consumir e pagar água proveniente de Coimbra porque a empresa águas do Mondego já abastece as Lameiras e Barrô e, sem dúvida "a bem do Lusense" vai passar a abastecer o Luso. Negócios são negócios!

Acontece que a qualidade da água de Coimbra (Captada no Mondego, numa fase em que o rio já se encontra no último troço do seu percurso até à foz, portanto, "bem temperado"), é muito inferior à do Luso e passará também a chegar com custo superior porque para o Engº Nelson Geada e restantes administradores desta empresa do grupo Águas de Portugal se passerarem de Audi A4 último modelo e poderem ser pagos com chorudos vencimentos e regalias próprios de gestores de empresas públicas mas indignos de um país com 4 milhões habitantes profissionalmente activos e em que meio milhão estão desempregados, alguém terá de pagar.

Acontece ainda que será ridículo passar a viver numa estância de termas, saúde e beleza onde a água é raínha e esta passar a ser um luxo exclusivo dos que vêm de fora, enquanto os que vivem, sofrem, lutam e fazem desta terra o que ela é, passarão a ter nas torneiras, água de Coimbra, de qualidade duvidosa. Que imagem é que isto poderá dar acerca da gestão e cuidados com esta Vila e com quem nela se encontrar (habitante ou não)?

Alerto assim as pessoas do Luso para o que poderá vir a ser um cenário muito real e que não podemos tolerar. Felizmente a água que consumimos em nossas casas é de boa qualidade. Não podemos prescindir desse direito.

Aos Lusenses que agora vão aparecendo em listas para os orgãos locais, deixo o apelo para que atentem nesta situação e tenham a coragem de incluir nas suas propostas de campanha, a resolução deste problema sério.

O Luso e quem dele gosta agradecem!

7 comentários:

BURRIQUEIRO disse...

A CRISE ESTA ATÉ NA AGUA. SÓ QUERO VER É QUANDO OS ELECTRODOMESTICOS SE ESTRAGAREM POR AQUECEREM A PUXAR A AGUA E NAO A TEREM. DEPOIS QUEM VAI PAGAR???? A NOITE QUANTO A ELECTRICIDADE É MAIS BARATA É QUANDO NÃO HÁ AGUA. DÁ PARA ENTENDER?

Adelo disse...

Falta de água nas torneiras em Luso... É manifestamente escandaloso!
É claro que a SAL chupa fundo com os seus furos. E já há outros a chupar da mãe de água da serra do Bussaco, como as "Caldas de Penacova)...
Não será possível alguma captação do lado norte da serra para os lados do Monte Novo ? Seria bom estudar-se pontos alternativos à Fonte de São João.

D'artagnan disse...

O problema é demasiado extenso e complexo para se conseguir abordar num simples comentário... mas devo relembrar que já foi abordado nalguns posts de 2008... e nada foi feito de especial a não ser a injecção de água do luso, por parte da SAL na rede pública.

Mas que eu saiba isso ainda não foi feito este ano.

pirandello disse...

No domingo dia 16 por volta das 20horas, corria abundantemente água dos dois depósitos grandes da SAL. Significava que os stoks estavam repostos e portanto a água que estava a ser captada não estava a ser aproveitada para o engarrafamento e provavelmente não estava a ser aproveitada para outro fim que não fosse a vala.
Acontece que os caudais da Fonte de S.João são cada vez menores. Aqui temos falta de água e na SAL temos desperdício.
Por muito que doa a alguns a Câmara tem muitas responsabilidades no que está a acontecer. Eu explico porquê. Como todos bem sabem a Fonte de S.João é uma nascente superficial que naturalmente está exposta à sazonalidade das chuvas e das captações em profundidade. Acontece que ao serem permitidos furos e mais furos à SAL, o que temos é um aumento do volume de captação de água em profundidade, o consequente abaixamento do nível freático e diminuição de água nas nascentes superficiais, como é o caso da Fonte de S. João. Perante esta realidade eu pergunto: Não foi também a Câmara que licenciou estes furos? Alguma vez esta possibilidade foi acautelada? Penso que não.

teófilo disse...

A questão de fundo, é que por muito que se fure, de pouco vale se estes estiverem a ser sobre-explorados (e não me parece que seja pelos lusenses...). Este artigo mostra o que está a acontecer no norte da Índia...

http://www.sciencedaily.com/releases/2009/08/090812143938.htm

CARLOS ALBERTO disse...

O SEU a SEU DONO.

Houve um Senhor, em tempos ministro de Durão Barroso, hoje Presidente de Câmara, que foi recentemente condenado, que concedeu à SAL, os maiores beneficios em termos de exploração, que alguma vez alguém teve coragem.

Bom ... provalvelmente tal sobrinho até é algum taxista
do Luso?

El Tonel disse...

Bá lá... faltou a água mas as minis não.... lololololllll