sábado, 8 de agosto de 2009

Serra do Buçaco - Nemátodo (Doença dos Pinheiros)



O perímetro florestal do Buçaco, um imenso pinhal, com cerca de 974 hectares, que se estende desde a cerca da Mata Nacional até bem perto de Penacova, pode estar em risco de desaparecer completamente devido ao nemátodo do pinheiro, cujos efeitos são já bem visíveis na zona da Espinheira.

O alerta partiu da Associação de Amigos para a Defesa de Luso e Buçaco (AAdeLB) e foi ontem ampliado pela Quercus (Associação Nacional de Conservação da Natureza, tendo ambas as organizações tecido fortes críticas à forma como a Autoridade Florestal Nacional (AFN) tem gerido a mata e aquela situação em particular. Fragilizado pelo grande incêndio de 2005, o pinhal, pertença do Estado, converteu-se, na opinião das duas entidades, num foco infeccioso de grandes proporções da doença do nemátodo do pinheiro, estando ameaçada a existência futura daquele tipo de resinosas na Serra do Buçaco.

O presidente da AAdeLB, António Pimenta, revelou ao Diário de Coimbra que, «há dois anos avisámos para o problema e nunca fizeram nada para evitar esta calamidade», acusando a AFN de não ter limpo a mata, limitando-se os serviços a «cortar as acácias, deixando os sobrantes no local».

Considerando que podem estar em risco as espécies exóticas existentes dentro dos muros da Mata Nacional do Buçaco, o responsável apela a uma intervenção enérgica para erradicar a doença.

Já Domingos Patacho, da Quercus, confirma que existe o risco de o nemátodo vir a contaminar outras resinosas existentes, mas prefere direccionar as suas preocupações para a forma como tem sido gerida a mata de pinheiro, defendendo que, apesar de nos encontramos numa época em que não é aconselhável o corte de árvores doentes, existem espécimes com «evidências de decadência» acentuada e que deveriam ter sido cortadas antes da Primavera.

«Não está ser feita a estilha e queima controlada», disse, referindo-se a duas das medidas que podem ser tomadas para combater a doença, defendendo que «não se pode fazer apenas fazer análises para detectar a doença e deixar tudo como está».

In DC

O nemátodo está a ameaçar os pinheiros numa zona do Perímetro Florestal do Buçaco, numa área equivalente a 974 campos de futebol. A denúncia parte da associação ambientalista Quercus, que acusa o Governo de nada fazer para combater a propagação desta doença fatal para os pinheiros. O Ministério da Agricultura está consciente da necessidade de intervenção na área, garantindo que o abate das árvores doentes e a qualificação da zona será realizado só após o mês de Outubro.


"Um dos sítios mais críticos do ataque do nemátodo da madeira do pinheiro ocorre no Perímetro Florestal do Buçaco, uma área com cerca de 974 hectares, próximo de Espinheira, Penacova, onde há locais com mais de 50 por cento de árvores com murchidão/mortas", explica a Quercus.

"São árvores secas há mais de seis meses. É madeira que está a perder valor comercial e isso é negligência do próprio Estado", acrescentou Domingos Patacho, da organização ambientalista, sublinhando a urgência de uma intervenção: "Há risco para a Mata Nacional do Buçaco".

Fonte do Ministério da Agricultura garante estar "planeada uma intervenção no Perímetro Florestal do Buçaco, que será realizada em tempo oportuno". "Por lei, toda e qualquer intervenção está proibida entre Abril e Outubro, devido ao insecto vector que transporta a doença", acrescentou o porta-voz do gabinete do ministro Jaime Silva, explicando que após o abate será levada a cabo a qualificação de toda a zona intervencionada. "Terminada a acção, serão estudadas medidas para qualificar a área".

Face aos números de infecção apresentados pela Quercus, na ordem dos 30 a 50 por cento, o Ministério da Agricultura contesta e fala em valores muito inferiores. "Os nossos valores andam entre os três e os quatro por cento, com confirmação laboratorial. A Quercus deve ter chegado a esses números ao observar os primeiros sinais de decadência da árvore e muitas vezes nem é nemátodo".

PORMENORES

NEMÁTODO
O nemátodo da madeira do pinheiro é um verme microscópico, do grupo das lombrigas, que ataca pinheiros e outras árvores resinosas.

INSECTO VECTOR
O longicórnio do pinheiro é o insecto vector desta doença. A sua função é a de transportador da larva. A dispersão do nemátodo está limitada ao período de voo do insecto, de Abril a Outubro.

SINTOMAS
O amarelecimento e murchidão das agulhas, diminuição da resina e a manutenção das agulhas mortas por período prolongado são os principais sintomas da doença, provocando a morte da árvore.

COMBATE À DOENÇA
Segundo a Autoridade Florestal Nacional deve detectar-se e remover os pinheiros mortos ou com sintomas de declínio, preferencialmente no período de Novembro a Março de cada ano, e eliminar todos os sobrantes de exploração florestal.

In CM

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