sábado, 23 de agosto de 2008

Grande Hotel Luso

"...A julgar pelos preços praticados, eu diria que já não falta muito para fechar, e não é de agora. Já no ano passado os preços eram demasiado baixos, para a categoria do Hotel. Com este tipo de (má)"estratégia" só conseguem afastar o suposto publico-alvo do hotel..."

Sobre este comentário de Ana Sampaio, devo informar que conforme simulações abaixo, não é verdade que a politica de preços praticados pelo Grande Hotel seja demasiado baixa em relaçao aos seus mais directos concorrentes.

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31 comentários:

Pedro Costa disse...

O comentário de Ana Sampaio já teve, em tempos, razão de ser. Hoje as coisas não funcionam assim. Na maior parte dos destinos é a procura que manda no preço e os hoteis limitam-se a tentar oferecer os preços mais atractivos para quem compra.
No Luso isso pode não ser tão visível, mas em Coimbra, por exemplo, é comum assistirmos a guerras de preços entre hoteis de categorias e qualidade de serviços completamente dispares.
Basta aceder a uma qualquer página de inscrição para um congresso para encontrar habitualmente hoteis modernos de 4 estrelas com preços iguais ou inferiores a hoteis antigos de 3 estrelas.
Nos dias que correm, todas as empresas, independentemente do ramo de actividade, estão no fio da navalha. Nada é garantido. Se a conjuntura pede ginástica, quem não tem flexibilidade para a conseguir fazer, poderá estar condenado.
Os preços deveriam reflectir a qualidade do produto, mas isso nem sempre é possível de garantir. Por vezes, razões de ordem comercial levam a que numa dada altura, nem os custos cubram.
Mas isso não define se uma empresa está para fechar.

Pedro Costa disse...
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D'artagnan disse...

Sempre que um quarto é vendido acima do custo operacional marginal, é bem vendido. Não nos podemos esquecer que vender quartos, não é como vender pregos: um quarto que não se venda "naquela" noite, não pode ser guardado para ser vendido no dia seguinte.

A questão coloca-se, isso sim, quando as vendas são feitas abaixo do valor mínimo, numa política de "rolamento" de dinheiro, que não tem a ver com o acautelamento dos custos de amortização e manutenção da unidade - isso implica a morte a prazo (que é uma situação muito mais visivél noutras unidades do Luso e Bussaco do que no Grande Hotel)

Sendo um hotel de periferia de cidade e um hotel de congressos, tem de ser gerido, tendo em linha de conta os valores ("tectos") de referência dados por unidades equivalentes mas mais proximas dos centros de público alvo. Acreditem, que não é tarefa fácil e acreditem igualmente que o Grande Hotel tem uma grande profissional (que veste a camisola da empresa) a tratar do assunto.

Objectivamente, quanto mais altos forem os preços do GHT mais espaço sobra para as outras unidades, mas quanto mais altos forem, menos clientes frequentarão o GHT - Em que é que ficamos?

D'artagnan disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Sampaio disse...

Caro TAKITALA, os preços a que me refiro são os preços praticados ao balcão, que são diferentes dos praticados através da Central de Reservas. Soube por pessoas que se informaram ao balcão do GH que no caso de ficarem 10 ou mais noites, o preço seria de 45,00€ por noite, em regime de APA, muito mais baixo que, por exemplo o INATEL,cujos quartos mais baratos ficam em €56,00 por noite. Mesmo sendo uma promoção, está mal feito porque estamos num periodo de Época Alta.

Pedro Costa disse...

Como diria o meu grande amigo Pedro Dias (é algarvio, portanto não espero que o conheçam), cada um sabe de si e Deus sabe de todos.
Veja a coisa por outro prisma: será que o Inatel tem possibilidade de baixar os preços mesmo que a situação assim o exija? Não se esqueça que se trata de um organismo público.
Isto são obviamente suposições...
Mas posso garantir-lhe, cara Ana Sampaio, com conhecimento de causa, que ninguém baixa preços sem ser a isso obrigado.

Ana Sampaio disse...

Meu caro Pedro, em primeiro lugar, o INATEL deixou de ser uma instituição pública e passou a Fundação, no dia 01 de Julho de 2008.
Em segundo lugar, eu estou a falar de estratégia. Quando um hotel, opta por uma estratégia de guerra de preços, tem que ter uma estrutura financeira muito boa, para suportar as perdas. O que não me parece ser o caso.
Ao optar por esta estratégia o GH só consegue afastar os clientes aos quais se destina.

Ana Sampaio disse...

Trocando tudo por miudos, o que quero dizer é o seguinte:
Os senhores não compraam um Mercedes SLK pelo preço de um Opel Corsa, pois desconfiam de imediato que algo de errado se passa e que o carro não está nas devidas condições. O facto de começarem a aparecer vários Mercedes SLK a baixo preço leva a que a marca (ou apenas o modelo) caia em descrédito e perca clientes.
O mesmo acontece quando um Hotel de 4 estrelas começa a praticar preços inferiores a um de 2 estrelas (basta compar o preço praticado ao balcão pelo GH c/ o preço de um hotel Ibis).

Espero que agora me tenha feito entender.

Pedro Costa disse...

Se o SLK não tiver quem o compre, não lhe serve de rigorosamente nada ter qualidade ou carisma.
Nunca esqueça que estamos aqui a falar de um problema conjuntural.
Espera-se sempre que as coisas melhorem, mas mesmo a Mercedes já teve que ceder a conjunturas ou será que inventou a serie A por mero capricho? A Audi tambem criou um modelo utilitário, mas como o vendeu a preços compatíveis com os pergaminhos da marca, teve vendas residuais.
A própria Porsche, o construtor europeu mais rentável, cedeu e tem modelos mais "em conta":um tal Caymann.
Presumo que saiba que a economia evolui por ciclos e que quando está frio é melhor não desperdiçar o pouco calor que ainda possamos adquirir...
Obrigado pela informação acerca do Inatel. Não sabia; nem eu nem o site da instituição como acabo de constatar.
Ah é verdade. Caso não saiba, há Corsas mais caros que alguns Mercedes.

D'artagnan disse...

Cara Ana

Não querendo colocar em causa os valores que adiantas, uma vez que apenas relatas algo que te contaram, não estarás (por exemplo) a tratar num caso de valores individuais por pessoa em regime de duplo (o que dará 90 Euros por noite) com valores finais de duplo (56 Euros) ?

TAKITALA disse...

Basta consultar as tabelas de preços balcão nos sites das Unidades Hoteleiras !!!
INATEL (Agosto) ....... 56,00 – Preço POR QUARTO
GRANDE HOTEL DA CURIA......... 104.50 - Preço POR QUARTO
GRANDE HOTEL LUSO.....58.00 – Preço POR PESSOA em Duplo = 58.00x 2 = 116.00

Ana Sampaio disse...

D'artagnan, coloquei essa mesma questão a esse casal e eles responderam-me que eram os €45,00 duas pessoas em quarto duplo, em regime de APA

Ana Sampaio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pedro Costa disse...

Eu não queria pormenorizar muito este assunto. Acima de tudo porque acho que não nos devemos meter nos assuntos internos de uma empresa privada e também porque conheço pessoalmente o director do hotel e isso seria indelicado da minha parte. No entanto, gostaria que me explicasse qual é o problema de uma empresa tentar fazer um encaixe de capital, mesmo que abaixo do potencial, se a alternativa é pior em termos financeiros. Acha preferível, como estratégia, deitar clientes borda fora quando se sabe que a actual crise está para durar?
Uma guerra de preços não é uma estratégia de futuro, mas os funcionários têm que receber todos os meses.
Já vi empresas bem planeadas e com estratégias minuciosas deixarem o mercado e arrastarem para o buraco muitos dos que com elas colaboravam.
Cara Ana Sampaio, percebo-a perfeitamente e embora possa pensar o contrário, comungo de muito do que aqui escreveu, mas tente por uma vez ver a floresta em vez da árvore. Há alturas em que temos que o fazer.

Pedro Costa disse...

O Algarve começou assim: a preencher o Inverno quase de borla com os reformados do norte da Europa.
Diziam no início que era apenas para manter os hoteis quentes, mas hoje já admitem que, com uma época alta cada vez mais curta e com veraneantes com cada vez menos dinheiro, se não fossem os velhotes do Inverno, muitos teriam que fechar as portas.

Ana Sampaio disse...

Caro TAKITALA, como já referi anteriormente, estou a falar dos preços praticados ao balcão.

Posso dar-lhe outro exemplo. O GH foi mencionado como exemplo numa aula de Estratégia e Controlo de Gestão, daquilo que um hotel de 4 estrelas NÃO deve fazer. A minha professora, da disciplina em questão, esteve, em Junho ou Julho do ano passado juntamente com o marido o os dois filhos, pagou uma diária de cerca de €50,00. Ela referiu que mesmo sendo preço de balcão, é uma má opção estratégica uma vez que primeiro provoca o afastamento do público alvo, que tem dinheiro para gastar, depois acaba por não captar público de segmentos mais baixos, que nem sequer se vai informar dos preços por se tratar de um hotel destinando a um segmento superior.

Vocês não vêm nem irão ver a Quinta das Lágrimas a baixar os preços (pelo menos enquanto o Júdice mandar) e isso eu posso garantir-vos.

Pedro Costa disse...

Isso é jogo baixo.
Entre alunos e colegas, tenho uma boa mão cheia de amigos na Quinta, o que, além de outras razões que já enumerei, me inibe de tecer comentários.
Fique-se com a teoria da sua professora de Controlo de Gestão que eu cá me arranjarei com a realidade.
Foi um prazer, creia-me.

Ana Sampaio disse...

Já que tem amigos na Quinta das Lágrimas deve conhecer o Dr. João Nuno Ferreira, que foi meu professor de Gestão de Operações Hoteleiras, e desenvolveu e geriu a Quinta das Lágrimas. Ele também partilha da "teoria" da minha professora.

TAKITALA disse...

Cara Ana
É claro que o Htl Quinta das Lágrimas baixa o preço. Favor consulte o proprio site do hotel e verifica que tem preços possiveis para reservas on-line com descontos entre 16% e 38%.
Terão pedido autorização ao Judice ?? Não terá sido a Teresa Lopes a decidir ??
Cara Ana não se esqueça de comentar com a sua professora questões como CUSTOS FIXOS e RÁCIOS que tanto eu, como tecnico de turismo como o meu amigo Pedro Costa, Director Hoteleiro tão bem conhecemos e valorizamos.
Muito resumidamente e para que perceba a lógica Entre alugar um quarto e não alugar e considerando uma estrutura de pessoal fixa, a diferença estás nos custos dos produtos de limpeza, pois o restante são despesas fixas e 1 quarto não vendido 1 noite não volta a ser vendido.

Ana Sampaio disse...

E o senhor deve perceber que essas percentagens de desconto não têm o mesmo impacto no preço do quarto que têm os preços praticados pelo GH. Felizmente não vou voltar a falar com a professora porque já tenho a cadeira feita.
Assim como sr sabe do que está a falar eu também sei o que estou a dizer.

Pionés disse...

...

Pedro Costa disse...

O João Nuno foi meu colega no Porto, embora com um desfazamento de 1 ou 2 anos (não tenho a certeza). Conheço-o desde essa altura e sempre me dei bem com ele.
Reencontrá-mo-nos em Coimbra. Voltámos a ser colegas, já como docentes, na Escola de Hotelaria de Coimbra.
Desde que saiu da Quinta das Lágrimas nunca mais tive notícias de tal alma.
Ele foi seu professor onde?
Gostaria, sinceramente, de saber dele.

D'artagnan disse...

Takitala

Além dos custos que enumeras tens ainda de entrar com os custos de amortização e desgaste de material, utilização alternativa de mão-de-obra, electricidade, gás, água e risco. :-)))))... telefonemas para agências de viagens... :-)))))

No meio de toda a argumentação, acho que estamos todos a dizer o mesmo: de facto, parece-me que o abaixamento excessivo de preços (estou a falar dos que são transmitidos para o exterior e não os que são de facto pagos aos operadores), é prejudicial à clarificação do segmento de mercado alvo e assim pode afastar os clientes que se pretendem como mercado base.

Por outro lado, DE FACTO, os orçamentos necessitam de ser cumpridos - Custos com o pessoal, segurança social, água, electricidade, alimentação, fornecedores em contracto de avença, etc, etc, etc, não podem deixar de ser supridos no final do mês, sendo de compreender estratégias momentâneas de encaixe urgente de liquidês.

Não deixa de ser mau sinal, mas daí a ser má gestão, só conhecendo um pouco mais das contas reais da unidade hoteleira.

Ana Sampaio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Sampaio disse...

Caro Pedro Costa, o João Nuno foi meu professor na FEP, no curso de Pós-Graduação em Gestão e Economia do Turismo e Hotelaria, e de acordo com a informação presente no site, vai voltar a leccionar na nova edição. A parte disso, trabalha como consultor e formador na área de hotelaria.

Pedro Costa disse...

Muito obrigado.
Conheço mais dois docentes do curso: o Jorge Catarino que foi meu colega de curso e que reputo como pessoa competentíssima e o Paulo Vaz, tambem muito bom menino.
Pelo meio perdi mesmo o rasto ao João Nuno porque só lhe conhecia a direcção da Quinta das Lágrimas e ele é apresentado como tendo tido vários cargos de direcção em hoteis. O tempo passa mesmo depressa.
O curso é um bocado carote para uma universidade estatal, mas parece-me bom. Parece-me curto nas áreas do Yeld Management e não vi referência às actuais e futuras estratégias de comercialização como o B2B e B2C.
Qual é a sua formação base? E experiência profissional, tem?
Pode responder ou Ana Sampaio é um nickname?
O interesse é no sentido de conhecer mais um colega, nada mais que isso. E como o TAKITALA me conhece, embora eu não faça ideia quem seja a pessoa, pode ser que consigamos alinhavar alguma ideia que possa ser usada em prol do bem comum. Assim evitávamos as bocas do El Tonel.
LOL

Estrangeiro disse...

Ta na hora de por as pessoas certas nos lugares certos.
Pelo que dá para ler deste post, parece que no Luso há, efectivamente, algumas pessoas que percebem de turismo e gestão hoteleira, ou pelo menos, esforçam-se para isso.

Ana Sampaio disse...

Ana Sampaio é mesmo nome; a minha formção base é Economia, quanto à experiência profissional, na área é zero, terminei o curso em Setembro de 2006 (com a defesa do trabalho de fim de curso,cujo titulo é "Revitalização da Actividade Turistica em Luso-Bussaco", precisamente no dia Mundial do Turismo)e estou a trabalhar como recepcionista no INATEL do Luso desde Janeiro de 2007, no entanto não tenho parado de enviar curriculos.

Pedro Costa disse...

Nunca desista, Ana.
Nem de tentar arranjar melhor nem de ir coleccionando competências. Está a investir no seu futuro.
A sua situação profissional é um bom exemplo de tudo o que discutimos anteriormente: não é o que planeou, tem potencial para muito mais e pretende mudar logo que tal seja possível, mas neste momento as circunstâncias da vida levaram-na a ter que se manter numa função para a qual está sobrequalificada.
Boa sorte.

Pedro Costa disse...

Caro estrangeiro.
A hotelaria representa apenas uma pequena fatia do universo que é o turismo.
Não tenho qualificações para criar estratégias turísticas. Só entrei nesta discussão porque versava o ambiente onde habitualmente me movo.
Tão pouco pretendi com isto fazer qualquer comentário à gestão do Grande Hotel do Luso. O GH está bem entregue ao Jorge Fonseca como estava bem entregue ao Raul Santos, dois excelentes profissionais com quem não ouso sequer comparar-me.
Mas seria bom que o Luso ohasse mais para o que tem e que pode ter e menos para o que já não tem nem voltará a ter.

dona chanfana disse...

Caríssimos, depois de tanta conversa de xaxa um parágrafo que se aproveita! Boa Pedro!
Quanto a comparar fundações a empresas privadas......... em comum talvez o facto de algumas empresas privadas tambem terem um lado mais escuro...